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Juliana Piesco - em 23/03/2006

Nos tempos atuais, com a obtenção de lucros e a cada vez mais crescente indústria das propagandas, estamos cada vez mais acostumados a ver propagandas em lugares, digamos... bizarros. O que não era de se esperar, porém, era o novo espaço destinado à publicidade, em especial política: o carnaval carioca!
O primeiro outdoor ambulante foi a escola da Mangueira. Ciro Gomes, atual ministro da Integração Nacional, desembolsou meio milhão de reais – ou, melhor ainda, tirou dos cofres públicos meio milhão de reais – a fim de patrocinar a escola; o enredo é em torno do rio São Francisco, e Ciro aproveita para tentar melhorar a popularidade de seu projeto de transposição das águas desse rio.

Porém, os brasileiros não têm do que reclamar: triste é a situação dos venezuelanos, que se vêem obrigados a assistir a verdadeira festa de autopromoção que Hugo Chavéz vem fazendo com o dinheiro da PDVSA, maior empresa do país, estatal de petróleo. Chavéz está se divertindo, seguindo fielmente o ditado “Fazer cortesia com o chapéu dos outros”. Procura conquistar o apoio de outros países oferecendo petróleo a preços ridículos, como na Bolívia, e ainda tem dinheiro de sobra para fazer uma colorida e animada propaganda no carnaval brasileiro. A escola responsável pelo marketing? Unidos de Vila Isabel.

A escola recebeu fartos um milhão de reais. Mesmo diante de todas essas “evidências”, Wilson Vieira Alves, presidente da escola, ainda afirma que o enredo “Soy loco por ti, America”, cujo tema principal são as nações latino-americanas, não se trata de propagando política de nenhum governo. Como se a gigantesca estatueta de Simón Bolívar (um dos maiores ídolos de Chavéz) que desfilou como uma das principais alegorias da escola, também se tratasse de mera coincidência.

O que é mais preocupante: a Venezuela venceu o carnaval brasileiro!

É a vitória do poder aquisitivo sobre a simples criatividade e expressão.

Quem sabe até onde nossa cultura e mesmo nossa diversão poderá ser invadida por essa constante lavagem cerebral política nos próximos anos?

 
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