Redacional Editora e Livraria
Publicação de Livros

Publique seu livro Veja aqui como publicar seu livro.


Análise de originais
quer uma leitura crítica de seu texto?

Revisão de textos Revise seu texto antes de submetê-lo.
Catálogo. Livro publicado pela editora.

Textos de leitores

Voltar

Desafios da infância e Juventude

Poesia

Cidadania

Inteligência espiritual

São Bernardo

Monteiro Lobato

A fábrica abandonada (conto)

A saúde e a vida

 
Publicidade


 

 


 
 

 

Desafios da infância e juventude pobre no Brasil


Aldo Moraes
- 13/10/2006

Atualmente, vivemos no Brasil duas visões e práticas diferenciadas com relação à situação da infância e juventude,cerca de 10 anos depois de criado o Estatuto da Criança e do Adolescente: uma consiste nos sistemas prisionais que se espalham pelo país e que tem demonstrado que em nada recuperam,nem adulto,criança ou adolescente. E de outro lado, iniciativas de organizações não governamentais,que conquistam a criança e o adolescente com práticas comunitárias de arte e cultura.O problema do abandono social à que crianças e jovens são submetidos (na maior parte das vezes,por carência econômica da própria família) é grande e mirar este desafio com esperança e determinação de "dias melhores" é realmente apontar para um novo Brasil.

Recentemente, o Banco Mundial divulgou um estudo sobre o impacto da educação pré-escolar, confirmando que intervenções-chave no início da vida são pequenos investimentos que trazem bom retorno e bem estar físico, mental e econômico ao longo da vida do futuro adulto. Mas o que espera uma criança brasileira que nasce em um lar muito pobre e tem seu destino quase sempre traçado pela falta de oportunidades, a começar pela desvantagem no acesso aos estímulos adequados, à creche e à pré-escola? Tendo aumentadas suas chances de fracassar (repetências e evasões escolares) o futuro jovem/adulto virá ter uma profissão mal remunerada e constituirá uma família pobre, completando o ciclo de pobreza, que se alimenta desde o início da vida.

Em situação de extrema exclusão social, os jovens são cooptados pelas drogas e pelo mundo do crime,o que é profundamente lamentável.Levados à instituições de sistema prisional infanto-juvenil,muitas vezes se degradam pelo convívio violento e sem atividades de inserção (arte,cultura,educação e esporte ) em um modelo que também onera os Estados e Municípios.Um estudo da Secretaria Nacional de Direitos Humanos divulgou que o custo para manter uma criança ou adolescente infrator internado chega até a R$ 7.000,00 mensais, sendo que o gasto médio no país, de acordo com o mesmo estudo é de R$ 4.000,00 por mês, aproximadamente.

Por outro lado, projetos sociais que trabalham atividades culturais, esportivas e educativas têm se mostrado eficientes na reconstrução de identidade de comunidades mais carentes. Tendo nascido em família humilde e sendo negro, eu tive dificuldades para estudar música e instrumentos elitizados como o piano e foi a sensibilização para este drama comum em nossas cidades que, em 1998, idealizei o projeto "Batuque na caixa", para o ensino de música em comunidades pobres. Desde o início, o Batuque atendeu 3.500 alunos, de 7 a 17 anos, em vários bairros da cidade de Londrina e em instituições como Casa do Caminho, Guarda Mirim e Escola Profissionalizante e Social do Menor e do Adolescente.

Neste período, tomamos contato com realidades diversas de violência familiar, drogas, incompreensão e mesmo a falta de provimento alimentar. Aprofundamo-nos nas questões que norteiam, de fato a inserção social de indivíduos talentosos e inteligentes, porém desfavorecidos economicamente e ainda pesando sobre eles o preconceito social. Tivemos contato com trabalhos conhecidos como o Olodum (Bahia) e Afro-reagge (RJ) e comprovamos a eficácia de projetos, que, além de tudo, tem conquistado a juventude na busca por dias melhores e nos levado a enxergar que o Brasil tem encontrado soluções criativas de custo baixo e perspectivas de inserção social a médio e longo prazo na luta pela transformação do indivíduo e da sociedade.



Publicado em 19/07/2003 no Jornal Panorama, em Londrina/Paraná.

Aldo Moraes é músico e educador musical, coordenador do projeto Batuque na Caixa e Presidente da OnG Arte Brasil.

Informações sobre seus projetos e atividades:

www.tramavirtual.com.br/aldo_moraes
www.tramavirtual.com.br/batuque_na_caixa

 

 

 

© Copyright 2005-2008 Redacional Editora e Livraria Ltda.
Direitos reservados.