Helena Ribeiro
- 08/04/2006
O
Rafting foi descoberto em 1869, quando John
Wesley Powel organizou a primeira expedição
no Rio Colorado, EUA. Em 1896, Nataniel Galloway
revolucionou as técnicas e, em 1909,
foi realizada a primeira viagem com finalidade
comercial, pela Julio's Stone's Grand Canyon.
Em 1980 surgiu o bote "self bailer"
que, aliado aos novos materiais mais leves,
resistentes e seguros, deu um grande impulso
ao rafting. Hoje existem mais de 5.000 companhias
só nos EUA, e outras tantas espalhadas
pelo mundo.
No Brasil, a história do Rafting é
mais recente. Os primeiros botes para corredeiras
chegaram em 1982, pela primeira empresa brasileira
especializada em rafting, a TY-Y Expedições.
De lá para cá, a prática
do rafting vem crescendo, inclusive como importante
ferramenta para programas de Recursos Humanos,
na aplicação da metodologia vivencial
ao ar livre, chamado de Rafting Empresarial.
Para
a prática do rafting são utilizados
botes especiais, remos, capacetes, coletes salva-vidas,
empresas e instrutores especializados, que oferecem
toda segurança para que uma equipe possa
descer corredeiras de rios, classificadas em
níveis, de acordo com as dificuldades
e quedas, sendo de I a III e, eventualmente,
IV, os mais adequados para programas de treinamentos,
como Team Building, Liderança, Motivação,
entre outros, onde todos podem participar; independente
de idade, peso, receios ou medos, pois a programação
e prática são ajustadas ao perfil
do grupo, respeitando os limites individuais
das pessoas.
Enquanto
a prática do rafting comercial é
uma aventura maravilhosa, cheia de fantasias,
medos imaginários, que, normalmente,
são estimulados pelos instrutores para
aliviar o stress do dia a dia; a descida de
Rafting Empresarial é customizada de
acordo com as necessidades das empresas, após
diagnóstico, e tem como foco: trabalho
em equipe, integração, sincronismo,
motivação, superação
de limites individuais e equipes, quebra de
paradigmas, liderança, inversão
de papéis, entre outras habilidades que
surgem, no perfil do grupo. Tudo isso é
vivenciado em contato com a natureza, clima
lúdico que também proporciona
a interação com o meio ambiente,
em locais maravilhosos no Brasil. Daí
a fama da cidade de Brotas, inclusive em nível
internacional.
Até
o momento pratiquei rafting comercial em diversos
rios, tais como: Rio Jacaré Pepira, Brotas
- SP, Rio Juquiá, Juquitiba - SP, Rio
Paraibuna, São Luiz do Paraitinga - SP,
Rio Itajaí-Açu, Apiuna-SC, Rio
Formoso, Bonito - MTS e Rio Pardo, Cadonde -
MG. Cada um oferece um estilo diferente de classificação
das corredeiras, que depende do nível
da água, topografia do leito, equipe
técnica treinada para a prática
do Rafting Empresarial, entre outros fatores,
principalmente de segurança. Esse "Know-How"
oferece condições da Razão
Humana avaliar a inclusão ou não
da prática em programas de T&D.
Um
dos paradigmas para a inclusão dessa
atividade nos treinamentos empresariais é
o receio do gestor de RH com relação
aos medos, por nem todos saberem nadar e se
imaginarem dentro de um rio. É importante
salientar que eu também não sei
nadar e em todas as descidas acompanho o grupo,
sendo que, para isso, pesquisei sobre os medos,
seus efeitos e criei uma metodologia diferenciada
para auxiliar pessoas a superar seus limites
imaginários e, além de todo equipamento
de segurança, a presença de um
especialista em salvamento aquático,
uso a empatia para motivar os mais receosos
remando com eles, no mesmo bote.
O
medo é uma emoção que sinaliza
ao homem a existência de um perigo ou
ameaça (real ou imaginária), positiva
ou negativa. A necessidade do SER HUMANO em
sentir-se protegido e seguro é natural.
Porém, o medo ou fobia muitas vezes tem
o poder de paralisar e impedir o crescimento
pessoal ou profissional que, através
deste, o indivíduo pode esconder de si
mesmo, das relações com o próximo,
sonhar, inovar, arriscar, crescer, entre outros.
O medo se apresenta em várias situações,
algumas pessoas têm medo de andar de avião,
ficar sozinho, falar em público, do futuro,
de sonhar e até de amar. Podemos classificar
o medo em níveis diferentes: natural,
traumático ou fóbico.
Para
todos os casos e em especial o de Fobia, uma
boa alternativa é a busca do autoconhecimento,
por exemplo, interar-se como é formada
a nossa personalidade. Como posso lidar com
minhas emoções? Como rever e equilibrar
meus conceitos de vida, entre eles, os Ensinados,
Pensados e Sentidos, que fazem parte da formação
de nossa personalidade e usamos no dia-a-dia.
Uma das técnicas simples podem ser o
conhecimento e uso da Análise Transacional
- AT. Eric Berne, o criador da AT, afirma que
nossa personalidade é formada por três
estados de ego: Pai, Adulto e Criança;
todos eles atuando em circuitos positivos e
negativos, em maior ou menor grau.
A
compreensão dos estados de ego é
uma excelente opção para a superação
dos medos. Em vários programas de T&D,
principalmente no Rafting Empresarial, utilizamos
os conceitos de AT que, somados às competências
chaves, contribuem com o desenvolvimento dos
profissionais na era dos "autos":
autoconhecimento, auto-estima, automotivação,
autoconfiança, auto-realização,
entre outros, que também têm como
objetivo a superação dos "medos"
individuais e equipes. Para complemento desse
assunto, indico meu artigo A
Razão do Medo - A Gestão do Autoconhecimento,
interessante também para que executivos
e gestores de T&D e RH desmistifiquem tais
paradigmas.
Pena
que Paul Dinsmore, em seu livro TEAL - Uma
Revolução em Educação
Empresarial, um importante documento do
valor da prática de Treinamento Experiencial
ao Ar Livre, não tenha dedicado maior
atenção ao rafting, citando apenas
que os "participantes navegam em botes
infláveis que oferecem relativa proteção,
além dos equipamentos individuais como
capacete e colete.", sem ressaltar a segurança
de equipes especializadas que já consagraram
sua prática em todo mundo, principalmente
nos diferenciais necessários para sua
inclusão em programas de T&D.
Em
todos os treinamentos em que a empresa Razão
Humana incluiu o Rafting Empresarial, a adesão
dos participantes foi de 100%, as médias
das avaliações superiores a 9.5,
sem nenhum incidente e sempre houve entre eles
alguém com medo, que no final agradeceu
pela oportunidade da vivência e superação
de seus limites.
Helena
Ribeiro: Pós-Graduada em Gestão
Estratégia Global de Negócios,
pelo INPG - Bacharel em Administração
de Empresas - PUCCAMP. Mestrado em andamento
- UNICAMP, sobre: Indicadores de Desempenho
em T&D, utilizando a aplicação
da Metodologia Vivencial ao Ar Livre.