Helena Ribeiro
- 08/04/2006
O medo é
uma emoção que sinaliza ao homem
a existência de um perigo, de uma ameaça
(real ou imaginária), positiva ou negativa.
A necessidade do homem em sentir-se protegido
e seguro é natural. Porém, o medo
ou a fobia muitas vezes tem o poder de paralisar
e impedir o crescimento pessoal ou profissional,
que através deste, o indivíduo
pode esconder-se de si mesmo, das relações
com o próximo, de sonhar, inovar, arriscar,
crescer, entre outros. O medo se apresenta em
várias situações. Algumas
pessoas têm medo de andar de avião,
ficar sozinho, falar em público, do futuro,
de sonhar, etc. E existem alguns medos que são
classificados como fobias, como por exemplo:
claustrofobia (medo de lugares fechados), acrofobia
(medo das alturas), agorafobia (medo de lugares
públicos, situações sociais),
entre outros. Para facilitar, poderemos classificar
o medo em formas e níveis diferentes:
natural, traumático ou fóbico.
Medo natural:
O medo natural tem como objeto principal um
perigo (fato ou situação) que
realmente atinge seu bem estar e provoca males.
Muitas vezes é possível vencer
o medo natural através da fé e
da coragem ou confiando no gesto de apoio do
outro. O medo natural pode ter a função
de sinalizar ao homem sobre um perigo ou ameaça
eminente e assim contribuir para proteção
deste. Com isso, procura abrigo e proteção.
Medo traumático:
Este é o forte medo desencadeado
por situações traumáticas,
que marcaram a vida ou imaginado pela pessoa
dessa forma. Esse medo também pode se
apresentar como uma ausência de coragem
e forte dificuldade em lidar com as perdas que
já sofreu, pensa-se que irá reviver
as mesmas situações. Há
casos em que se manifesta através de
um forte desânimo ou depressão,
trazendo barreiras ou impedimentos ao crescimento
pessoal e profissional. Há profissionais
que por medo, escondem seus talentos, limitando
seus potenciais e crescimento, ou seja, não
acreditam em suas potencialidades e assim, vivem
frustrados e não investem no aprimoramento
de suas habilidades e competências. Na
verdade, alguns nem acreditam que as têm.
Fobia:
A fobia pode ser considerada como uma grave
angústia que apresenta sensação
de ansiedade; imobiliza e restringe o indivíduo.
O fóbico vivencia verdadeiro tormento
e pânico diante do objeto temido ou situação,
que nem sempre apresenta um perigo real. A fobia
é um tipo de medo excessivo e irracional
de algo específico, provocando ação
de evitar a qualquer custo este encontro desconfortável.
Pode apresentar os seguintes sintomas fisiológicos:
aceleração cardíaca e de
respiração, sudorese, secura na
boca, tensão muscular e tremores. Quando
o indivíduo está diante de uma
situação ou circunstância
por ele temida, ocorre um desequilíbrio
de substâncias (serotonina e dopamina)
no cérebro. Esta pode ser uma reação
normal que possibilita ao indivíduo enfrentar,
defender-se ou fugir, preservando assim seu
equilíbrio e/ou integridade física.
No entanto, no caso da fobia, a situação
normalmente não representa um perigo
real. Pelo menos na proporção
imaginada. Estas sensações de
ansiedades, as conhecidas e controladas, são
comuns para muitos profissionais que interagem
diretamente com um público, tais como:
atores, palestrantes, consultores, mestre de
cerimônias, ou seja, um profissional ante
uma platéia sente estes sintomas fisiológicos,
em maior ou menor grau de intensidade, que pode
se manifestar de 1 a 5 minutos no início
de sua apresentação, tempo este
em que o orador experiente supera e controla
estas reações. Graças a
Deus temos estas sensações, que
compreendidas e controladas, fazem parte do
sucesso de grandes oradores. Haja vista, que
uma boa comunicação, também
é carregada de fortes emoções.
Superação: Há possibilidades
de vários tratamentos àqueles
que vivenciam questões relacionadas ao
medo, inclusive nos modelos bíblicos
existem várias referências, as
do bem estar, aos pontos negativos para reflexão,
como no caso de Adão, onde aprendemos
a recuar, a nos esconder, a temer os castigos,
a desconfiar de Deus, a não acreditar
no próximo, a agredir e a trair. Mas
também com Jesus, aprendemos a respeito
do AMOR, da fé, da coragem, do perdão...
Se temos a figura de Adão como perdido,
confuso, culpado e atemorizado, também
temos a figura de Cristo que enfrentou situações
terríveis: afrontas, traição,
julgamentos, rejeição, desprezo,
solidão, dores e a morte.
É preciso ter atitudes de coragem para
mudar de comportamento e enfrentar o novo, se
arriscar, mesmo sabendo que as dificuldades,
perdas e frustrações possam surgir.
Afinal, Cristo foi único, nós
Humanos, a partir do medo, podemos evitar desfechos
tão extremos.
É importante
aprendermos a lidar com todos os tipos de medo.
O medo natural é utilizado como um mecanismo
para nos defendermos, e muitas vezes é
necessário para nossa proteção.
O medo traumático ou fóbico pode
ser um sinal de que algo não está
bem, ou seja, é a existência de
um conflito interno que precisa ser analisado
e tratado. Para os casos mais graves, o processo
terapêutico pode ser uma alternativa de
solução, possibilitando assim
a superação deste obstáculo.
Para todos os
casos e em especial o de Fobia, uma boa alternativa
é à busca do autoconhecimento,
como, por exemplo, interar-se de como é
formada a nossa personalidade. Como posso lidar
com minhas emoções? Como rever
e equilibrar meus conceitos de vida, entre eles,
os: Ensinados, Pensados e Sentidos, que fazem
parte da formação da nossa personalidade
e usamos no dia a dia. Uma das técnicas
simples é o conhecimento e uso da Análise
Transacional (AT).
Eric Berne, o criador da AT, afirma que nossa
personalidade é formada por três
estados de ego: Pai, Adulto e Criança;
todos atuando em circuitos positivos e negativos,
em maior ou menor grau..., sendo que o estado
de ego Criança, age naturalmente sem
adaptações e sem máscaras,
é a criança que existe dentro
de nós e que mesmo adulto, não
morreu. Ela é impulsiva, cativante, espontânea,
que sente medo, raiva, ri, chora, ama, odeia
e que muitas vezes está adormecida dentro
de nós.
A compreensão
dos estados de ego, a liberação
da criança livre, interagindo com o adulto
e o pai, é uma excelente opção
para a superação das fobias e
medos.
Em vários
programas de treinamento utilizo forma estratégica
os conceitos de Análise Transacional
que, somado as competências chaves do
programa, auxiliam o desenvolvimento dos profissionais
na era dos "autos", autoconhecimento,
auto-estima, automotivação, autoconfiança,
auto-realização, entre outros,
que também tem como objetivo a superação
dos "medos" individuais e de equipe.
Fecho este artigo
com uma mensagem de reflexão do livro:
Você é o Melhor de Deus
- Um clássico sobre o valor humano de
T.L.Osborn. "O primeiro passo é
reconhecer o seu valor. Quando você faz
assim, você faz as sementes da grandeza
germinar em você. Aquelas sementes crescerão.
Serão como um milagre operando em você".
Você começa a pensar, sentir e
falar como alguém de valor, de dignidade.
O valor que você dá a si mesmo
impõe respeito.
Os outros o tratam como você se trata.
Eles o vêem como você se vê.
Você merece a confiança dos outros
quando pratica o confiar em si mesmo. Você
carimba seu próprio valor na sua vida
mediante seus próprios pensamentos, palavras
e ações.
Nunca mais acalente pensamentos aviltantes acerca
de si mesmo. "Nunca fale nem aja como uma
pessoa de segunda classe."
Helena Ribeiro:
Pós-Graduada em Gestão Estratégia
Global de Negócios, pelo INPG - Bacharel
em Administração de Empresas - PUCCAMP.
Mestrado em andamento - UNICAMP, sobre: Indicadores
de Desempenho em T&D, utilizando a aplicação
da Metodologia Vivencial ao Ar Livre.